Com alerta a Profa. Sonia Alegretti (PUC-SP), que foi minha orientadora no mestrado e que será também no doutorado, é comum confundir a tecnologia que compõe o Ambiente Virtual de Aprendizagem- AVA com o próprio AVA. Ou seja, confunde-se o LMS (dimensão tecnológica) com o Ambiente Virtual de Aprendizagem como um todo.
A concepção de AVA que adoto para pensar a inteligência coletiva nesses espaço é apoiada no conceito de ambiente de aprendizagem proposto pela Profa. Sônia, uma vez que, em meu ponto de vista, aponta claramente para um entendimento sistêmico de AVA, rompendo com o reducionismo recorrente até mesmo na literatura especializada. Foi a partir do conhecimento desse conceito que comecei a pensar os possíveis elementos ligados à emergência da inteligência coletiva nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, e que estariam distribuídos em suas três dimensões fundamentais: metodológica, tecnológica e social. Para Allegretti, ambiente de aprendizagem (virtual ou não) é entendido como:
aquele que propicia ou potencializa a aprendizagem, tendo como elementos constitutivos: a estrutura física (concreta ou virtual); as metodologias empregadas, possibilitadas pelo ambiente; bem como as condições de socialização; todos esses elementos devem estar articulados e não justapostos como se fossem aspectos isolados. (…) Não é possível definir no ambiente de aprendizagem, qual desses elementos é o mais importante, se a estrutura física, a metodologia ou a sociabilidade. A eficácia do ambiente de aprendizagem ocorre na medida em que esses fatores estejam bem articulados dando sustentação um ao outro e que a inter-relação dos três se torne una. (ALLEGRETTI, 2003, p.66)
Para lidar com a inteligência coletiva em ambientes virtuais de aprendizagem é preciso ir para além da sua dimensão tecnológica, abordando também suas dimensões metodológica e social. Não podemos cair na armadilha da simplificação e da decomposição do todo em partes. Precisamos, sim, nos amparar num “conceito sistêmico que exprima ao mesmo tempo unidade, multiplicidade, totalidade, diversidade, organização e complexidade.” (MORIN, 2008, p.157).
Por sistema, sigo o conceito dado pelo mestre Edgar Morin, que o define como uma “unidade global organizada de interrelações entre elementos, ações ou indivíduos.” (2008, p.131).
Em síntese, entendo a ambiente virtual de aprendizagem com um sistema complexo composto por pelo menos três subsistemas: metodológico, tecnológico e social.
AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM E OPERADORES PEDAGÓGICOS DA INTELIGÊNCIA COLETIVA

Apesar de ter consciência da multiplicidade de fatores que vão impactar a inteligência coletiva a partir dessas três dimensões, como as funções docente e discente (atores da inteligência coletiva), os conteúdos, dispositivos de interface etc, até o momento, por limitações metodológicas, o avanço é com cautela. Por isso, concentrei minhas análises em quatro elementos, no design instrucional (dimensão metodológica), nas mídias de função pós-massiva (dimensão tecnológica), na interatividade e na comunidade virtual (dimensão social). São esses elementos que chamo de operadores pedagógicos da inteligência coletiva em ambiente virtual de aprendizagem, assunto que abordarei com mais detalhes em outro post.
Referências
ALLEGRETTI, Sonia. Diversificando os ambientes de aprendizagem na formação de professores para o desenvolvimento de uma nova cultura. 2003. Tese (Doutorado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação / Currículo da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2003.
MORIN, Edgar. O método 1: a natureza da natureza. Porto Alegre: Sulina, 2008