Archive for March 2011


Fronteiras Educação: Diálogos com Geração Z

March 18th, 2011 — 7:30pm
Chama-se de Geração Z aqueles que nasceram a partir de 1995, já com o hábito de zapear, mudar de um canal para outro na televisão, da internet para o celular, do celular para o vídeo, utilizando, simultaneamente, as mais diversas mídias. Esta geração tem enorme poder de escolha e, para isso, precisa de mais do que cabos e ícones, precisa de pensamento.
Os 5 fascículos da série Fronteiras Educação: Diálogos com Geração Z  estão disponíveis para download no site  Fronteiras do Pensamento.
Fonte: Fronteiras do Pensamento

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Mídias em EaD e Fases Culturais

March 17th, 2011 — 12:11pm

Na imagem abaixo, contrasto as mídias utilizadas nas diferentes gerações da Educação a Distância (Moore e Kearsley,2007) com as Fases Culturais propostas por Santaella (2008)  a fim de evidenciar as relações entre apropriação tecnologica e a cultura de cada época.

Processo evolutivo do uso das mídias na educação a distância nas fases culturais das mídiasProcesso evolutivo do uso das mídias na educação a distância nas fases culturais das mídias. Fonte: Silva, 2010.

É claro que as mídias vão engendrar novas possibilidades de ensino-aprendizagem,  que, a bem da verdade,  nem sempre são exploradas adequadamente nas diferentes Fases Culturais.  Por exemplo, vamos perceber, ainda nos dias de hoje, práticas educacionais  ligadas à lógica da Cultura de Massa, ou seja, ao mass media (função massiva=emissão da informação centralizada por um polo controlador). As  mídias predominantes na cultura atual são aquelas que o Prof. André Lemos (2007) chama de mídias de função pós-massiva, típicas da dita Web 2.0.

O que percebo é que, apesar da euforia do público, as mídias de função pós-massiva ainda não foram adequadamente incorporadas à educação virtual, evidenciando, dessa forma, um descompasso entre evolução midiática, cultura e práticas pedagógicas.


Referências:

LEMOS, André. Cidade e mobilidade.Telefones celulares, funções pós-massivas e territórios informacionais. In: Matrizes, Revista do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação., USP, ano 1, n.1, São Paulo, 2007b. Disponível em: http://www.intermidias.com/txt/ed9/cidade%20e%20mobilidade_andrelemos.pdf

MOORE, Michael; KEARSLEY, Greg. Educação a Distância: uma visão integrada. São Paulo: Thompson Learning, 2007.

SANTAELLA, Lucia. Cultura e Artes do Pós-humano: da cultura das mídias à cibercultura.São Paulo: Paulus, 3ª ed., 2008.

SILVA, José Erigleidson. Operadores da Inteligência Coletiva em Ambientes Virtuais de Aprendizagem. 2010. 202 f. Dissertação (Mestrado em Tecnologias da Inteligência e Design Digital) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2010.

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Design instrucional e Web 2.0

March 12th, 2011 — 1:47pm

O Design Instrucional (DI) tradicional, entendido aqui como aquele baseado no behaviorismo e também no cognitivismo que enfatiza o processamento da informação, tem sido alvo de críticas recorrentes por parte de alguns estudiosos da educação virtual. Na prática, esses modelos de DI vão ser marcados pela linearidade, sequenciamento da instrução, definição prévia – imutável – de objetivos de aprendizagem e pela rigidez do processo, com pouca ou nenhuma possibilidade de intervenção de professores e alunos. Portanto,  estariam impróprios para a aprendizagem na cena da Web 2.0.

Entre outros aspectos, os mais puristas vão se prender à palavra “instrução” para desqualificar as contribuições do design instrucional.  De fato, o termo “instrução” destoa do “espírito do tempo”, sendo talvez mais adequado o termo “design da aprendizagem” (Agrada-me muito essa expressão). No entanto, a questão da nomenclatura não é nem de longe a mais importante, pelo menos não é para mim.  Além disso,  como nos mostra Andrea Filatro (2004), em sua obra Design Instrucional Contextualizado, o DI tem se reconfigurado ao longo dos anos para incorporar os novos conhecimentos sobre a aprendizagem humana, bem como novas tecnologias e mídias, encontrando-se hoje em pleno processo de  redifinição. Ou seja, o DI é dinâmico.

quadro_di

Influências sobre o Design instrucional a partir da década de 1960. Fonte: Filatro (2004, p.73)

No Brasil, o Prof. João Mattar tem pregado que precisamos de um design da “interação” em vez de design “instrucional“. Concordo em parte com essa opinião de Mattar.  Tanto ele quanto eu defendemos a interatividade conforme proposta por Marco Silva  (ver os três binômios da interatividade).  Porém, não vejo o design intrucional como obstáculo para a interatividade,  pelo menos não o DI influenciado pelas ideias de cunho construtivista.  Para mim, DI e Web 2.0, e tudo que ela significa,  não são expressões incompatíveis.

Abaixo, resumo algumas características do modelo de DI que a Profa. Andrea Filatro (2004) chama de Design Instrucional Contextualizado ou DIC.

O DIC é definido como “ação intencional de planejar, desenvolver e aplicar didáticas específicas incorporando mecanismos que favoreçam a contextualização.” (FILATRO, 2004, p.104).

Vamos notar que as características do DIC são plenamente compatíveis com o aprendizado na Web 2.0, com a interatividade e com aquilo que tenho chamado de abordagem da inteligência coletiva em ambientes virtuais de aprendizagem.

  • Importância do contexto para todas as fases do processo de design instrucional;
  • Caráter recursivo e dinâmico;
  • A fase de análise estabelece apenas um foco inicial para posterior aprimoramento;
  • Os objetivos de aprendizagem são tratados de forma cambiante, ou seja, variam de acordo com as perspectivas e com os estágios nos quais os aprendizes se encontram no seu continuum de desenvolvimento.
  • Ênfase nos objetivos relacionados à construção de significados em vez de regras a serem seguidas;
  • Alunos têm liberdade para selecionar conteúdos que atendam às suas necessidades;
  • O foco não é no controle, na aferição, mas na criação de de ambientes que favoreçam a aprendizagem, que retratem a flexibilidade e a multiplicidade inerente ao contexto educacional;
  • Oferta de múltiplas perspectivas sobre um determinado tema;
  • Propõe problemas complexos e significativos que se relacionam com as experiências de vida dos alunos;
  • Utilização de recursos de comunicação e de compartilhamento de informação para desenvolver a reflexão crítica;
  • Aluno tem liberdade para formar seus objetivos individuais;
  • Estratégias de avaliação de longo prazo. Avaliação informal pode subsidiar as avaliações formais.

Na busca por um design instrucional adaptado à Web 2.0 – também à inteligência coletiva –  Zheng (2009) propõe o Framework de DI para o Aprendizado na Web 2 . O framework proposto pelo autor caracteriza-se por uma abordagem centrada no aluno, pela comunicação interativa e por uma aprendizagem dinâmica na Web 2.0.

Abordagem centrada no aluno – O planejamento deve levar em consideração as habilidades cognitivas e metacognitivas dos alunos, por exemplo, habilidade de processamento da informação, gestão das habilidades cognitivas e autorregulação no processo de aprendizagem. A abordagem centrada no aluno ressalta um processo de design no qual os alunos podem acessar simultaneamente múltiplos espaços de conhecimento sem sobrecarga cognitiva.

Comunicação social interativa - o design incorpora a comunicação interativa pela qual os alunos iniciam a aprendizagem por meio de uma discussão em aberto, na qual ocorrem trocas de opiniões, elaboração de pensamentos fortalecidos por novos fatos e achados. Na medida em que a negociação social avança, metas e objetivos coletivos emergem, ou seja, a posteriori. Ganha destaque o mecanismo de feedback, pelo qual os aprendizes criticam, corrigem e transformam ideias e conceitos individuais dentro de normais socialmente aceitáveis.

Aprendizagem dinâmica – o ambiente virtual de aprendizagem deve ser dinâmico, a) envolvendo atividades acompanhadas pelos comportamentos que refletem uma mudança no processo de aprendizagem, b) o esquema do momento do aprendizado pouco estruturado, e c) colaboração entre os alunos.

framework_di-web 2

Framework de Design instrucional para o aprendizado na Web 2.0. Fonte: Zheng (2009, p.72)

Como vemos, o design instrucional encontra-se em pleno processo de adaptação ao contexto Web 2.0. Processo esse que não se limita apenas à apropriação do software social,  significa, também, repensar todas as etapas do DI (análise, planejamento, desenvolvimento, implantação e avaliação) a fim criar situções de aprendizagem condizentes com a dinâmica do conhecimento na Web 2.0.

Referências

FILATRO, Andrea. Design Instrucional Contextualizado: educação e tecnologia. São Paulo: SENAC, 2004.

SILVA, Marco. Sala de Aula Interativa. 4ª ed. Rio de Janeiro: Quartet, 2006.

ZHENG, Robert Z. Designing Dynamic Learning Environment for Web 2.0 Application. In: YANG, Harisson H,; YUEN, Steve C.(Ed.), Collective Intelligence and E-Learning 2.0: Implications of Web-Based Communities and Networking.[S.l]: Information Science Reference, 2009.

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